Devaneios, a ternura num olhar
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Impasse
quinta-feira, 12 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Ligações
São elas que me fazem procurar o celular no meio da noite só para ver se você me tocou. Que me lembram nossas histórias, nossas risadas e suas tantas palavras que escrevia em minhas anotações só para tentar registrar aquela lembrança. São as ligações que não me separam do seu corpo, seu sorriso e seus olhos que de tão gigantes engolem toda minha vontade e coração.
Fico toda ligada em você quando aquele abraço apertado me vem do nada, do meio da pista, de um corredor estreito onde não se pode ver o fim, só a curva. São nossas ligações que me constroem um passado tão romântico e por vezes piegas. Que me pegam pedindo ajuda a guarda-chuvas no meio da rua só para me fazerem chegar lá, onde você está. Consigo te encontrar no escuro, no claro, no meio de um sonho ou de um pesadelo quando você está lá para me puxar.
Me ligo em você quando vejo que somos versões parecidas em corpos e pensamentos tão distantes. Às vezes eu só queria enxergar o mundo como você enxerga: bonito, transparente e cheio de horizontes. Você é uma mistura de feitiço, de todos em um, de cheiro de chuva com sabor de criança quando acaba de nascer. Uma lágrima que escorre dos olhos quando falamos dos nossos pais e que abre o sorriso por saber que aquele sentimento compartilhado é ainda mais intenso. Eu tenho saudades, tenho medo, frio na barriga. De perder qualquer minimalidade do seu corpo e deixar de gravá-la em mim.
Eu sinto falta, sinto apego, sinto distância, aquela que é tão grande que fica impossível de matar em uma vida. E apesar de todas essas fissuras, desfechos, desencontros, cicatrizes, roda viva, brincadeiras, e um dicionário todo para descrever você, eu sei que nunca vai se acabar todo esse desenrolar, porque a ligação que me mantém ativa na linha, não me deixa sequer por um segundo me libertar destes momentos que construímos no silêncio, no sorriso. E pra todo mundo ver se quiser enxergar. São essas ligações, estradas da vida que me levam com você e você comigo onde eu estiver.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
A arte de fluir
Quantas histórias giram o mundo. Que saem às pressas das caronas dos carros e entram pelos portões. Que preenchem os toques no ombro depois de tanto tempo inquieto no peito. Que te olham no fundo dos olhos por uma fração de segundo, mas fingem não ver. Quantas lágrimas se escorrem do peito machucado que mais uma vez se levanta. Quantos sorrisos com toques conquistamos ao longo do dia, no simples gesto do “sem querer”. Quantas saudades ficam nas palavras que sequer escritas em um papel permanecem. É difícil entender que a arte da vida é feita destes pequenos detalhes que acontecem todos os dias, mas nunca são iguais. Estão ali, expostos para todo mundo ver, literalmente na cara do gol. Mas deixamos, enrolamos, fazemos do jeito mais fácil que é esperar para receber. Só quem esquece do que já existe e começa tudo de novo é que percebe o quanto o mundo gira e nunca para no lugar. No mesmo lugar. São perdas, vitórias, reconquistas que podem não voltar. Mas tentamos porque o ser humano nunca fraqueja quando a palavra é lutar. Que mesmo depois de um período extenso de trabalho, foge da rotina, mas pensa sempre em voltar. Que curioso são essas etapas da vida!
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Entrelaçados
Mais um dia qualquer na agenda dos paulistas: céu nublado, dia corrido, metrô lotado. Item por item, a lista vai se preenchendo com fatores rotineiros até a hora que exaustam qualquer ser humano. Não na vida de Bruna e Igor.
Namorados. Igor acabava de sair do trabalho, Bruna seguia para a faculdade. Um dos poucos momentos que estavam juntos era a trajetória que faziam e por isso não podiam desperdiçar tempo.
Apaixonados. Olhavam-se nos olhos, se encostavam com movimentos delicados como se os empurrões das pessoas no metrô não afetassem em nada nem em uma muito menos a outra ação. Era até gostoso quando, de súbito, se tocavam. Era encantamento.
- Amor, fiz dois presentes para você. – disse Igor um tanto acanhado.
- Ah, não acredito! Jura? Obrigada amor, não precisava. – responde Bruna surpresa e admirada.
Igor retira com esforço a mochila das costas e começava a abri seu zíper.
- Mas...espera! Você vai me entregar aqui os presentes? – indaga Bruna com o coração a palpitar.
- Claro! Por que esperar mais? – responde Igor com sorriso de orgulho no rosto.
Ele entrega duas folhas: dois desenhos feitos com todo carinho de um primeiro amor.
- Olha, o primeiro eu fiz para você...
- Colocar no armário, não acredito!
- Isso! O segundo eu fiz pensando em todos os desenhos que já fizemos. Misturei um pouco dos meus traços com os seus, espero que goste amor. – finaliza Igor com as bochechas rosadas.
- Ah, mas é claro que eu gostei! Em que hipótese eu poderia não gostar?- responde Bruna com as lágrimas transbordando aos olhos e borrando a vista dos óculos. – não tenho nem palavras, obrigada mesmo querido!
Ambos se abraçam em meio a beijos delicados. Se olham como se estivessem a sós. Como se o metrô fosse a sala da casa de alguém. Como se a vida fosse para ser vivida intensamente, não importa onde. Como pessoas esquisitas, que por mera anormalidade eram felizes.
(baseado em fatos reais).
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Afinal, para que servem as carapuças?
Para fingir que está tudo bem? Para proteger alguém? Para mostrar o que você não é? Por que ela existe então? Não sei quem a inventou, só sei que a desprezo tanto quanto a utilizo.
É o medo que transparece sua forma e faz crescer sua força, mas ela não faz bem para ninguém. Se agora parece que melhora, depois vem a avalanche por conta da fraqueza de suas barreiras. Não que ela seja mentira, mas fraqueza. Ela parece ser algo que nunca é e por isso engana. O corpo, mas a mente sabe que aquilo é vergonhoso.
E se ela ainda vive porque a verdade dói somos burros ou ingênuos em não perceber que esconder a verdade dói mais ainda. Ela é tão inimiga da sinceridade que chega a se entrelaçar sobre suas pernas, sorrateira, para derrubá-la. Mas não é assim que as coisas funcionam: elas são muito maiores do que se parecem. Mais profundas, sabe? Eu só sei que independente de minhas críticas ainda não consegui me libertar de todas elas. Ou já tenha feito isso e esteja sofrendo as conseqüências. É melhor assim: que ela fique bem longe de mim.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Revoluções em cada centímetro de mim
Economizo gestos, mas não minhas vontades. Aprecio quem não tem medo de saciar os objetivos, mas ainda que eu tema os riscos sei que minha grandeza é mais forte que estes mínimos detalhes. Não importa o quão extenso ou complicado seja o caminho, eu sei que posso formá-lo da maneira que bem entendo e desejo. Ter sucesso na vida não é para formar um modelo de experiência para os outros e sim para satisfazer meus mais profundos sonhos. Aqueles, guardados e que poupo transformá-los em palavra para formá-los em realidade concreta.
É a força de minha determinação que move minha energia de conquista. Sem poetismo, mas cheio de um romantismo complexo que preenche meus movimentos e agem de forma pura e ingênua, para abrir a minha mente e fazer desta vida incrivelmente surpreendente.
