terça-feira, 31 de agosto de 2010

Faixa de Pedestre

Do outro lado da rua uma mão acenava para mim. Parei, tentei lembrar quem era. De súbito reconheci aquela meiguice em pessoa, Angelina era seu nome. Desde o tempo de colégio não a via, uma saudade começou a martelar meu peito. O farol fechou, atravessei a rua e ela também.
- Oi Fê, quanto tempo! – disse Angelina dando-me um delicioso abraço.

- Oi Na, puxa que saudades!
Por um tempo ficamos assim, abraçadas em meio a faixa de pedestres. As pessoas atravessavam de um lado para o outro deixando conosco certos olhares suspeitos estranhando a situação. Os carros pareciam nossa platéia e nós o espetáculo.
- Ah, é uma pena termos nos encontrado justo aqui. – disse a ela com uma voz um tanto triste.

- É verdade, qualquer dia nos falamos então. – respondeu ela dando-me outro abraço.
- Então tá, se cuida Na.
- Você também Fê.
Viramos para trás, demos mais um aceno e cada uma seguiu em direções opostas caminhando para o encontro de cada destino.
Moral da história: Os caminhos se cruzam quando você menos espera.
Baseado em fatos reais

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Feitos de gestos

Em frente à porta de casa cheguei com o coração na mão. Na verdade eu não queria voltar para lá. Não porque eu não gostava do meu doce lar, mas porque eu queria permanecer sob a companhia deles. Recebi um beijo de cada um no rosto, deixei a marca de meus lábios em cada um também. Um beijo nem sempre fica por ali. Sempre levamos um pouco do remetente dos lábios no corpo e isso ficará marcado em nós. Quando eu dedico um beijo a alguém, desejo deixar um pouco de mim no receptor de meu simples gesto de carinho; Assim como levo um pedacinho de cada um dentro de mim. A quantidade é grande entre beijos dados, roubados e recebidos, mas são apenas aqueles especiais que permanecem na bagagem. O encanto pode nascer aí: de um simples gesto para uma intensidade sem fim.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Acaso

"Nossa que besta esse cara, não se toca que está fazendo um papel de ridículo!" Joana pensava num momento de observação. Ela estava em um bar com os amigos e fumava seu cigarro em uma área reservada quando se deparou com um homem bêbado entre amigos. Não se conformava com tamanha babaquice, desprezo pela vida e pouco senso do ridículo, tudo isso em uma pessoa só.
- Acabei de tirar carta e meu pai me deu de aniversário um mini Cooper. Fiquei puto, eu queria mesmo era um conversível que eu falei pra ele. Mas ele nunca me ouve, vê se pode! - Dizia o rapaz embriagado ao grupo de jovens na mesma situação.
-Ei cara, você não se toca que está fazendo o maior papelão aqui? Se liga, fuma seu cigarro e vai beber até entrar em coma otário! - Disse Joana furiosa interceptando a conversa do grupo.
Todos do grupo pararam, olharam entre si com certo alívio já que não suportavam mais aquele sujeito, temerosos também pelo que poderia acontecer depois.
- Ei, não está lembrado de mim gatinha? - respondeu o rapaz - É o Ricardo da Pucci, a gente ficou lá, peguei seu telefone, mas você nem me atendia.
Joana parou, reparando agora na aparência dele, não havia feito aquilo antes. "Putz, que zica!" pensou ela e saiu andando em direção à pista do centro.
Ela não esperava aquilo, não aquela noite. Mas ela tinha de reconhecer que estaria sujeita a esses encontros a partir do momento em que utilizasse sua boca para um mero desejo. Ela se sentiu ridícula, comum. Lembrou-se do encantamento que sentia quando beijava pela primeira vez alguém especial e só então reparou que há muito tempo não procurava isso nos beijos do acaso. Ficara sem graça para Joana beijar por beijar desde então.
" Alguém precisa parar de mentir e avisar para essas meninas que a vida é uma chacina cotidiana. Que o envelhecimento chega sem que você espere, que o mundo fica repetitivo com o tempo, que as pessoas ficam previsíveis e que sexo fácil é sempre sexo sem amor. Avisem a elas que o amor é raro, difícil, caro, duro de encontrar, morre fácil, porque é sempre mal-adaptado num ambiente mais afeito a baratas do que a seres humanos.
Enfim, que uma das lutas contínuas da civilização é contra a indiferença porque homens e mulheres não são especiais e existem às dúzias por aí, a gargalhadas, como bonecos de cera sem graça." Luiz Felipe Pondé, Jornal Folha de São Paulo, 3 de Maio de 2010.
Um tanto forte, eu sei, mas possui certa verdade. Um beijo, fiquem bem.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pois é!

Depois de tantos prós e contras, depois de pensar tanto (muito mesmo) nessa inauguração, resolvi por fim criar um blog. Na verdade esse é um espaço para todos se sentirem à vontade, podendo expor opiniões, críticas e o que quiserem, aqui pode ser também a casa de vocês. Os posts serão um meio de desabafo da minha visão de mundo. Aceito também dicas, conselhos e tudo o que vier de coração, afinal como já disse aqui é um espaço para vocês se sentirem à vontade.
O “cantarolar da alma”, através de devaneios, simples ou marcantes acontecimentos e tudo que possa trazer as famosas inspirações que fazem “a alma dançar” é um manifesto de amor, de ternura e compaixão, sentimentos que necessitamos muito nos dias de hoje para viver neste mundo maluco.
Hoje deixo com vocês uma breve explicação de um sentimento pouco falado por aí, mas que não deixa de ser tão lindo e importante quanto os outros.
Ótima semana pra vocês e comecem ela sorrindo, o resto a gente enfrenta.
Ternura
ternurater.nu.rasf (terno+ura2) 1 Qualidade de terno. 2 Carinho, meiguice. 3 Afeto brando ou sem grandes transportes.
“É o amor de fazer ou cantar versos e mandar flores, esse amor de doer no peito, de dar saudade, era amor de homem fraco.” Um certo capitão Rodrigo, Érico Veríssimo.
Para mim: é aquele amor que te deixa molenga, morno e com as bochechas ardendo, quando o coração palpita fortemente dando sinal de que está vivo, o sangue corre na velocidade da luz pelas veias, nós sonhamos e flutuamos descontroladamente em meio a devaneios, suspiramos, amamos, amamos.