quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Aula de Português

- Vem aqui, quero te apresentar um lugar super bacana! – Eu disse segurando sua mão.
Ele nada proferiu, confiou em mim um tanto apreensivo. Subimos juntos uma escada que dava para um terraço onde era possível ver as estrelas e o brilho da lua. Próximos à porta, cobri seus olhos com as minhas mãos para que a surpresa pudesse ser maior. Fui guiando seu corpo até ele sentir o vento sob seus cabelos e então permiti que ele abrisse os olhos novamente. Seu olhar denunciava seu encanto e para mim, isso era tudo. Recebi um abraço envergonhado, sincero e finalmente consegui soltar todas as palavras que estavam presas na garganta. Demos risadas juntos, ficamos de mãos dadas deitados no chão permanecendo lá por horas observando a noite.
- Ei, estou falando com você mocinha! Responda a minha pergunta! – Ordenara a professora de português.
Despertei do devaneio, mas por um instante aquilo tudo fora tão real que meu coração estava disparado e eu pedira à professora para repetir a pergunta com um sorriso de canto. Às vezes o sonho é tão real que vira verdade.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Passos

Ouvi passos próximos, corri às pressas para a cama, fingi que dormia apenas para ganhar um beijo na testa. Era tudo o que eu queria aquela noite. Ele entrou vagarosamente, sentou ao meu lado, acariciou meus cabelos e me presenteou com seus lábios no local desejado, confortando meu corpo. Fechou a porta, eu levantei. Fiquei um tempo apenas massageando o local onde tamanho gesto de carinho fora depositado. Em seguida saí à procura de papel e caneta, sentei ao pé da cama e tentava escrever palavras bonitas, mas nada chegava perto da beleza dele. Então, a saída foi procurar algum objeto de inspiração e fui à busca de porta retratos com nossas fotos. Encontrei uma de nós dois abraçados, coloquei ao peito, me emocionei. Voltei para minhas anotações rabiscadas, mas ainda assim nada saía. Fiquei um tanto nervosa acabando por esbarrar em alguma coisa próxima ao meu cotovelo. Não era minha culpa ter nascido desastrada. O tal objeto era um presente que eu havia lhe dado ainda criança, feito com meu próprio esforço, toda minha inocência. Percebi que não era necessário muito para surpreendê-lo, apenas algo verdadeiro. Abri com todo meu cuidado a porta, segui para o banheiro na ponta dos pés. Minha caneta transformara-se na pasta de dente, meu papel no espelho. E não vi a reação dele ao acordar, apenas senti a frase que eu queria ouvir ao despertar pela manhã – “eu também amo você, filha.”