terça-feira, 14 de setembro de 2010

Passos

Ouvi passos próximos, corri às pressas para a cama, fingi que dormia apenas para ganhar um beijo na testa. Era tudo o que eu queria aquela noite. Ele entrou vagarosamente, sentou ao meu lado, acariciou meus cabelos e me presenteou com seus lábios no local desejado, confortando meu corpo. Fechou a porta, eu levantei. Fiquei um tempo apenas massageando o local onde tamanho gesto de carinho fora depositado. Em seguida saí à procura de papel e caneta, sentei ao pé da cama e tentava escrever palavras bonitas, mas nada chegava perto da beleza dele. Então, a saída foi procurar algum objeto de inspiração e fui à busca de porta retratos com nossas fotos. Encontrei uma de nós dois abraçados, coloquei ao peito, me emocionei. Voltei para minhas anotações rabiscadas, mas ainda assim nada saía. Fiquei um tanto nervosa acabando por esbarrar em alguma coisa próxima ao meu cotovelo. Não era minha culpa ter nascido desastrada. O tal objeto era um presente que eu havia lhe dado ainda criança, feito com meu próprio esforço, toda minha inocência. Percebi que não era necessário muito para surpreendê-lo, apenas algo verdadeiro. Abri com todo meu cuidado a porta, segui para o banheiro na ponta dos pés. Minha caneta transformara-se na pasta de dente, meu papel no espelho. E não vi a reação dele ao acordar, apenas senti a frase que eu queria ouvir ao despertar pela manhã – “eu também amo você, filha.”

3 comentários:

  1. Seu jeito de escrever tranquiliza, fascina.

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  2. Cada vez mais eu me impressiono com a sua escrita e o sentimento que, ao mesmo tempo que está pregado em você, é compartilhado com todos que leem seus textos. você é linda.
    amo você.

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  3. Estranho sentir exatamente cada palavra escrita, cada mínimo detalhe. Deu até um friozinho no fim do texto. Acho que todos os seus ótimos textos, esse foi o melhor. Parabéns Ju =)

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