quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Palavras mudas

Empurrei seu peito com força, minha vontade era de agredí-lo até ele gritar; ao menos alguma coisa sairia de sua boca. Não me respondia, apenas ouvia minhas críticas por horas sem nenhum sinal de interrupção. Não suportei mais, virei as costas, corri e desatei a chorar. Ainda que pudesse ser uma resposta eu não queria o silêncio, eu lhe implorava palavras.

Ele bem que tentou proferir algo, mas faltou-lhe coragem. Ou vergonha na cara.

domingo, 17 de outubro de 2010

Paradoxos

Um coração moderno na pós modernidade
Gera frutos problemáticos.
A solidão é um dos filhos rebeldes
Acompanhado ora pela alienação
Ora pelo desprendimento da realidade.
Não dá certo viver em dois tempos,
Não adianta oprimir as vontades
E o que se faz quando não batem os prazeres?
Enganar o coração com sonhos utópicos já é rotineiro,
Sonhar com o futuro significa inexistência
Vivemos sempre no presente
Sufocante, libertador;
Mas ainda há dúvidas quanto às explicações sobre o amor
Um amor que nasce no ser humano e o faz morrer
Morrer de amor.
E quem não ama ninguém talvez já tenha nascido ausente de vida.
Amar é dor, satisfação.
Um brilho no olhar, um sorriso aberto
Nem mesmo as palavras conseguem descrever.
Único, injusto, inspirador,
O amor não tem época, nem paradigmas
Mas ainda descomplicando o complicado
Encontro-me presa em um cubículo
Sem ar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O desabrochar de uma flor

De início era pequenino como uma flor prestes a nascer. Aos poucos foi tomando espessura, cor, presença. Então foi ganhando espaço entre seus irmãos tornando-se diferente, especial. De um nascimento comum surgira uma beleza majestosa, gostosa de observar. O tempo foi passando e, no entanto ele estava ali, presente, forte e encantador como nunca. Mas ele não era imortal e assim como as folhas caem no outono, suas lembranças foram ficando fracas e doentes em mim. Foi numa tarde de inverno que recebi a notícia: morrera no sono, respirando calmamente. Chorei, senti, mas ainda tinha esperança de vê-lo novamente. A esperança é teimosa e corajosa, mas nem sempre vitoriosa. Presenciei mais uma morte do amor e dali recomecei a contagem para seu renascimento.

domingo, 3 de outubro de 2010

Caminhos

Certa curiosidade tem dado o ar de sua graça dentro de mim.
É tamanha a sua presença que me pego dando risadas quando presto atenção nos caminhos que tenho andado. Caminhos engraçados, caminhos confusos, caminhos congestionados, cheio de gente, em que é necessária uma atenção tremenda para não deixar a oportunidade passar despercebida. Caminhos com a luz de um fim de tarde, com uma tempestade de dar arrepios. Caminhos sem vozes, apenas olhares. Caminhos repletos de dúvidas em que até minha maior certeza não é uma certeza concreta. Caminhos sólidos, flutuantes. E a grande desenhista dessas maluquices sou eu mesma. Ainda assim, por vezes me questiono “Aonde vou parar?”

Esquadros
Ádriana Calcanhoto


Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que não sei o nome.
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores.(...)
Pela janela do quarto, pela janela do carro,
Pela tela, pela janela,Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado, remoto controle.