sábado, 20 de novembro de 2010

Como o Sol

Eu queria abraçar a todos, transmitir calor, sensação de conforto. Era um brilho aconchegante, que não cabia somente em mim, somente a mim. Queria chegar do inferno ao paraíso em instantes, observar a vida passar. É o que tem de mais belo. Felicidade é uma roupa que veste a alma, lava o corpo, banho de purificação. Segundos de nostalgia, lágrimas se esvaem do coração. Não que a vida seja uma luta, mas um esporte. Temos que praticá-la todo dia pra não perder a forma... a forma de amar, de sorrir, de fazer rir. Todo dia um recomeço, nos desmanchamos até nos refazermos, sempre diferentes e iguais ao mesmo tempo. Por vezes me sinto no outro, mas o outro sempre está em mim. E se descubro que estamos todos ligados é tudo tão mais fácil; Fácil de escrever, difícil de fazer. Escuridão me causa medo só até eu reagir. Me aproximo do Sol, que ainda com toda a sua claridade coloca-me pra dormir. Sonos, sonhos, realidades sem fim. Diálogos com o coração, um tempo pra ele e pra mim. E se sonhar não fosse bom, não seria obrigatório um tempo de nossos dias tão agitados para isso. Somente isso. Talvez seja isso que esteja ausente, um tempo somente pra si.

domingo, 14 de novembro de 2010

Enquanto a vida passava

Acordou tarde, queria ter dormido mais. A noite já estava chegando, ela não sentia prazer algum. Levantou agitada, comeu um pão velho, sentou no sofá e ligou a TV. Deitou e permaneceu mudando de canal por alguns minutos. Nada de interessante, pegou um livro. Leu algumas linhas, não prestou a atenção em uma palavra sequer. Decidiu tomar água. Sem gosto. Preparou um leite. Muito doce. Tomou refrigerante. Já estava farta daquele gás borbulhando em sua garganta. Seguiu então para a janela. Apoiou os cotovelos, sentiu sua barriga enconstar-se à parede fria, como seu coração. Tirou um cigarro do bolso, acendeu-o e tentou admirar a lua cheia daquela noite, mas não via brilho algum. O medo que ela tinha de colocar os pés na rua e enfrentar o mundo ofuscara esse brilho dela. Tanto que ela já não o via em parte alguma. O medo pode nos cegar do que mais queremos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pensando bem...

A gente pensa que pode conseguir tudo
Cuidado!
A gente pensa que não vai dar conta das obrigações,
Pensa errado!
A gente mais pensa que faz,
E a probabilidade disso ser correto é grande.
Enquanto pensamos a vida corre,
Como os carros na cidade de São Paulo.
Quando nos damos conta,
Já apareceram os primeiros fios brancos,
As ruguinhas indesejáveis.
Sentimo-nos cansados,
Não sabemos de quê.
Tampouco lembramos o que fizemos e o que ganhamos.
Lembramo-nos de nossos sonhos,
Que hoje em dia andam ou viraram frustrações.
Vivemos apressados, passos apertados,
Solidões.
Portanto, é preciso calma, respiração:
Ou então passa um caminhão maluco
E leva toda a nossa determinação.