domingo, 14 de novembro de 2010

Enquanto a vida passava

Acordou tarde, queria ter dormido mais. A noite já estava chegando, ela não sentia prazer algum. Levantou agitada, comeu um pão velho, sentou no sofá e ligou a TV. Deitou e permaneceu mudando de canal por alguns minutos. Nada de interessante, pegou um livro. Leu algumas linhas, não prestou a atenção em uma palavra sequer. Decidiu tomar água. Sem gosto. Preparou um leite. Muito doce. Tomou refrigerante. Já estava farta daquele gás borbulhando em sua garganta. Seguiu então para a janela. Apoiou os cotovelos, sentiu sua barriga enconstar-se à parede fria, como seu coração. Tirou um cigarro do bolso, acendeu-o e tentou admirar a lua cheia daquela noite, mas não via brilho algum. O medo que ela tinha de colocar os pés na rua e enfrentar o mundo ofuscara esse brilho dela. Tanto que ela já não o via em parte alguma. O medo pode nos cegar do que mais queremos.

2 comentários:

  1. Singelo, mas verdadeiro. me sinto assim por vezes.

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  2. Nossa...as vezes me sinto assim...

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