sábado, 24 de dezembro de 2011

Singularidades

Existem momentos que só acontecem no nosso universo: como chuva em um dia ensolarado, risada quando não existe motivo, como amor quando não se sabe sua origem.
Têm dias que parecem realmente inexistentes, como aqueles em que a coragem diz que tudo pode - e deve - ser feito. É assim que a alma se manifesta: na lágrima, no sentimento, na dança e canção.

Só conhecendo de perto as belezas da vida que descobrimos a cumplicidade de um melhor amigo em nós mesmos, dádivas que só existem em nosso mundo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Aurora

Não sei o que se passa. Que balança minha asa. Que fascina meus desejos mais desconhecidos, meus instintos adormecidos. Não sei se é uma brisa, ou se já passa com a força do vento. Pode ser intuição, mas pode ser ilusão também.

Como os truques dos mágicos de circo. Dou piruetas, faço caretas, tento subir em tecidos. Pra atravessar meu horizonte e subir no seu muro. Ficar de cima te olhando, sem que você perceba. Mas ainda que atenta, as palavras com sua sutileza me dão um leve empurrão e eu caio de cara no chão. No seu chão.

Macio, mas perigoso como areia movediça. Sorrateira, que nos engole por inteiro. Digere cada célula que nem percebo que estou decompondo. E virando pó. Ou fumaça. Ou magia. Ou encanto. É um nó na garganta que me lembra revolução, que me faz sair à procura de um novo que eu ainda desconheço. Desinteresse. Morte. Reciclagem. E descobrimento. Nunca arrependimento.

Tentar é minha nova verdade, avesso do certo, amor da vontade. Balanço na chuva, incremento meus movimentos no nascer do Sol, naquela cor linda da Aurora Boreal. Se é outono ou primavera não sei. Mas mexe comigo, descanso bem.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

As crianças guardam os maiores segredos do mundo.

"Quando você me conta as histórias de quando você era criança, dá uma vontade danada de ser igual a você. Até parece que você continua uma criança igual a mim. Parece que foi ontem que você brincava de corda no quintal. E chamava os seus amigos para pintar com giz na rua a bandeira do Brasil. Parece que aquela jabuticabeira que você escalava na casa da vovó era mesmo muito grande e você muito forte.

Você me disse que não gostava de comer as verduras que o vovô mandava, mas eu sei que a salada que ele fazia era a parte mais gostosa do almoço. Até ficar doente era uma baita brincadeira, porque não tinha remédio melhor que o melzinho da titia. Nem carro, nem moto, muito menos avião chegam perto do tamanho das asas que você ganhava com aquela balança que ficava no parquinho da rua de trás da sua casa antiga.

E mesmo quando o presente do seu aniversário era só um carrinho de madeira, você criava muuuuuuuitos caminhos para ele te levar. Hoje você sabe que aqueles milhares de machucados pelos tombos de bicicleta são muito melhores que os machucados que a gente não vê. Hoje você sabe que ficar em casa em dia de chuva comendo brigadeiro da vovó era o seu passatempo predileto. E fazer guerra de travesseiro com o titio enquanto o vovô não chegava do trabalho era a aventura mais perigosa. E também a mais divertida.

Você me ensinou que as cabanas feitas de lençol e tantas risadas são as mais poderosas. E que a floresta da sala é o lugar mais seguro para passar uma noite fora de casa. Brincar de teatro e boneca com a titia só porque ela queria poderia até ser brincadeira de menina, mas no fundinho eu sei que você gostava. Às vezes você sentia medo também, das lendas que o vovô contava, mas ele era sempre seu melhor companheiro para dormir de luz acesa e achar isso a maior graça.

A vovó podia até não falar, mas ela morria de vontade de buscar você à noite quando você dormia fora. E o vovô podia até fazer pose de sargento, mas ele queria te proteger e te encher de abraços no seu primeiro dia de aula. Hoje você me conta todas essas histórias e enquanto você me olha com estrelas nos olhos, eu te olho como super herói.

Porque foi você que falou para eu fazer um pedido quando eu ganhei minha primeira janelinha na boca. Foi você que me ensinou que embaixo da mesa é o melhor esconderijo. Mas a lição de casa mais bonita que eu já fiz foi ver que ser gente grande é tão bonito quanto ser criança porque a gente sempre deixa vivo no nosso peito as melhores lembranças da infância. Eu quero ser criança do seu lado, quero voar e construir castelos com você. Oras, você sempre me disse que é o meu melhor amigo. Pai, deixa eu ser criança com você também?"

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Faça primeiro

- Ei, espera. Preciso te contar uma coisa. Disse João antes de desligar o telefone.

- O que filho, pode falar? Respondeu sua mãe, curiosa.

- É... mãe... dá um abraço no pai por mim?

- Claro! Mas por que você não dá hoje à noite quando ele chegar?

- Não sei. Não... não sei por que, mas tive vontade de dizer isso agora no telefone.

- Fica tranquilo. Respondeu Fábia, mãe de João, um tanto apreensiva.
– Mais alguma coisa?

- Huum, sim. Quero que você se olhe no espelho e veja o quanto é linda. E o quanto eu tenho sorte de ser seu filho. Quero que você dê um abraço na Nina, que já está velhinha mas late e brinca pelos corredores feito filhote. Ah, e pode entregar meus carrinhos da minha coleção predileta para o Toni. Ele é pentelho, mas é meu melhor irmão. E quero que você peça para a vovó fazer aquele bolo de laranja com calda de açúcar para hoje à noite...

Fábia, chorando do outro lado do telefone, não entende por que tantas exigências.

- É claro filho, eu faço tudo isso, mas o que está acontecendo?

- Te amo mãe.

A linha caiu. O coração daquela mãe se apertou. Ela ainda não sabia, mas era a última vez que falara com João. Em meio ao assalto da Nove de Julho, o último pedido daquele garoto de 17 anos foi falar com sua mãe. E assim fez.

Nas mãos caídas machucadas no chão da avenida, um recado para quem o encontrasse:

“Faça primeiro o que o seu coração manda. Siga seu instinto, peça desculpas, abrace quem você ama. Era isso que eu queria ter feito antes de sair de casa”.

(...)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Verdades

É verdade que machucado dói à beça, ainda mais de quem você menos espera. Machucar também não é fácil, você conhece seu lado mais sombrio.

Eu enxergava tudo cinza cor de inverno quando ataquei. Senti toda a meiguice de meus atos medrosos se transformarem em vontades monstruosas. Mas eu não queria. Juro que não. Imaginei tudo diferente e de repente virei serpente na escuridão. Quando fechei os olhos para não ver os estragos, eu só queria ajuda e um carinho na cabeça. No fundo, bem no fundinho, eu só procurava compreensão.

Mas os soldados lá fora estavam armados, com pedras e arcos e mal esperaram eu me defender. Toda alegria que me rodeava passou para turbulências e desânimos prolongados.

Desculpas e orgulhos ainda batalham e persistem em mostrar qual lado é o mais forte...

Por que o ser humano é tão complexo assim?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Liberte

Ele pergunta com sua inocência:

- Mas afinal, pra que serve a independência?

E eu respondo com bravura e coragem:

- Pra libertar você, da sua mente.

- Como, se comigo ela está sempre? - indaga o pequeno peralta.

- Quando você sente que não tem mais gente que te alcance no ar.

(...)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Não tem problema!

Quando o céu está preto café, não de noite, mas de dor, é hora de fechar os olhinhos e dizer “está tudo bem”.

Quando seu pai liga bravo e fala que você está distante, é hora de pensar “eu sempre estou contigo”.

Quando você sente que ama a pessoa, no mais profundo âmago, mas não tem coragem de confessar, grite com o peito “eu te amo mais do que você imagina”.

Se você sente uma fissura, ressecamento ou rachadura e acha que está prestes a desabar, lembre-se que a persistência é o melhor modo para fazer tudo se alinhar.

Se o dia acorda de mau humor com você, pense que não é ele que acordou com o pé esquerdo, mas você que esqueceu de dizer “Obrigado”.

Se antes de dormir bate aquele cansaço já do dia seguinte, existem muitas pessoas que mal dormem no chão insensível e se sentem em casa.

Se você não quer seguir as regras, o seu coração é o seu melhor amigo e ele pode te ajudar. E mesmo se não souber nenhuma resposta, ele pode ao menos te abraçar.

Para aqueles que temem não receber uma última mensagem de adeus, ao menos um dia você já teve um “oi”.

Para aqueles que acham que serão demitidos, amanhã começa tudo de novo e como as estações, tudo se renova.

Não se sinta culpado por errar, você teimou em tentar e isso já faz todo sentido.
Acredita em coincidência? É mero destino? Sorte no amor? Ou mesmo, acaso?
Existe casamento de olhar sim, mesmo que você nunca mais encontre ele.
Tesão? Ou simplesmente um romance escondido?

(...)

Se tem uma potência que pode comandar as leis do mundo, essa é a nossa própria cachola.

domingo, 14 de agosto de 2011

Um conto para fazer dormir

Era noite quando o despertador tocou. Sem sirene, mas com amor. Naquele luar, Caco deixou voar seus versos. Olhou para aquela simpatia de pessoa, se enfeitiçou. Joana, meiga como flor, forte como fronte de navio. Ela tinha um apreço de dar água na boca. No turbilhão de tagarelices nada mais importava a não ser um olhar fixado no outro. Eles sabiam que o silêncio entre eles era causado por milhares de palavras e pensamentos que ansiavam por fugir. Era tão profundo e intrínseco aquele instante que ardia a ponta dos dedos pelo toque antecipado.

- Tome, deixou cair do seu cabelo. - disse Caco à Joana, entregando-lhe uma flor.
- Mas não é... ah, muito obrigada. Seu nome é...? - perguntou Joana.
- Caco! O seu é Joana que eu sei, muito prazer, encantado. - respondeu Caco não se contendo com tamanha sensibilidade.

Reconheceram de imediato uma força do peito fora do normal, e se surpreenderam com o frio na barriga causado pelo medo e desejo em harmonia.

É gostoso escrever um pouco desse meu rascunho de história. Mas não me culpe por não ter terminado nem me questione se é verdade ou fantasia. O fato é que respiro meus desenhos acabando por trazê-los diversas vezes à realidade. É ingênuo eu sei, mas são tantas as formas de amor que me desespero por querer conhecê-las, por ser tão intensa assim.

E naquela noite, as palavras rasgavam a garganta de cada um, para descobrir mais do outro, para viver e respirar mais a história que estava por vir.

Assim como o vento, eles não sabiam onde iriam parar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Linear

É um amor tão utópico que não chega a existir na cabeça de outrem.

São fatos, frases, nuances em fotografia. Loucuras em forma de gente que não se concretizam no mundo real. São passagens, momentos, instantes, detalhes. São, até mesmo, palavras alheias ao vento que, quando capturadas, não se preocupam em torcer o peito e fazer do conjunto uma linda confissão de amor.

São histórias, filhos que não existem de pessoas sonhadoras, que nasceram e viveram de maneira diferente do que realmente acontece na mente.

Suspeito até chamar de plano B, mas esses contos que vivo cantarolando aos quatro cantos são histórias do passado, frutos de um futuro que nunca existiu.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Quando toca o alarme

Sirene. Alarde. Coração na mão. Não era de imaginar, mas ele fugira daquela prisão.

Cansado de correr, não sabia qual direção pegar, mas continuava sem medo de tentar. O breu à sua frente limitava sua visão a poucos milímetros de seu nariz, era hora do instinto atacar.

De repente, à sua frente, ouve uma respiração tão ofegante e próxima quanto a sua. Medo, frio na barriga e formigamento nos pés.

O choque entre ambos foi tão imenso que quase não coube conversa nesse encontro. Só susto. O clima de suspense aquecia a alma daqueles aventureiros que nada faziam além de viver.

De início mal sabiam a feição de cada um, sentiam apenas o ar que exprimiam da boca. Depois encostaram uma mão na outra, sem querer. Erro mais danado de bom. Começaram a tatear o rosto, as mãos, o ombro, uma bela combinação no escuro.

Sabiam que não deviam, mas continuavam mesmo assim.

Suspeitos. Acusados. Confessos. Mas possivelmente, reféns.

No entanto, ainda que aquele momento fosse eterno, era hora de partir. Cada um tinha uma direção a seguir, um sopro. Era até pecado dissolver tal amor insolúvel, mas ninguém ia entender. Ninguém poderia saber. Uma semente que nasceu e floresceu em cada um, e que permaneceu por lá também. Não cabia a mais ninguém compreender o que acontecia naquele escuro. Não no mundo real.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os loucos soam roucos seus cantos de amor

Tinham vontade de jogar os sapatos para o mundo e rir à toa. Não que se ausentassem dessa liberdade, mas continham-se em miúdos dedos fracos. Olhavam-se e permaneciam longos minutos em uma conversa incessante, repleta de novidades. Passarinhos do bico grande adoravam importuná-los com informações alheias, construídas na cabeça deles.

Nada disso importava.

O coração disparado, o sangue percorrendo todo o percurso do corpo, as bochechas coradas – tão lindas - valiam cada minuto arriscado. Toda a paz de um mundo real virava fumaça perto dos desejos enfeitados por duendes encantados. Eles amavam isso sim, e toda bravura fazia-se coragem para enfrentar soldados de chumbo.

Medo? É claro que tinham - isso que os movia - eles nunca deixavam de sonhar.

Mas, ainda que todo aquele amor fosse gigante, ainda que atravessasse fronteiras, rios e mares e que gritasse o futuro, as leis do mundo real eram fortes gigantes capazes de impedir as tantas aventuras.

Lágrimas caiam do peito, dos olhos, do rosto ao pescoço, até o travesseiro. Mas, teimosos que eram, não desistiam. Estava na raiz deles este espírito maluco e enquanto podiam, soavam roucos seus cantos de amor.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tornado

Coração amargurado
Corrói céu
Pupilas dilatadas
Agasalham a lua
Você ao lado
Apaziguar
Mente desequilibrada
Tempos remotos
Pôr do sol
Nuances em fotografia
Aperto no peito
Cigarro
Ou infortúnios
Dor de cabeça
Noites de insônia
Infinito de palavras
Imensidão
Me encontro
Por entre os ventres das ruas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

É isso aí

Todo começo de madrugada, Wilson embarcava na estação Barra Funda. Um cotidiano ardente, seco, uma mesmice quase fracassada.

Passava o dia inteiro vendendo balas nos faróis das cidades. Em seu histórico profissional, já arrumara brigas, amigos, amores, olhares, mas assim como os carros, as pessoas o deixavam pra trás em sua rotina massante. Ouvira certa vez que seu trabalho (de pedinte?) não lhe daria nenhum futuro, mas era o que ele melhor sabia fazer. Quando o sol estava encerrando seu expediente, Wilson descansava exatos dez minutos para fazer sua única refeição do dia.

O relógio apertava o tempo e mostrava meia noite, hora dele embarcar no último vagão com o que lhe restava de produto. Tentava levar para casa mais alguns míseros grãos de sustento, mas o que ninguém percebia é que Wilson era mestre em observar, as pessoas. Em como os dias passam e os sentimentos ficam para trás e o que importava se desfazia nos dedos. O pobre moço não vendia apenas balas, vendia vida, esperança.

Ele podia até não saber, mas ele era o próprio exemplo de que fugir dos desafios é para os fracos. Ou medrosos. Existem milhares de pessoas que achamos que conhecemos e não nos acrescentam em tanto. Mas então o tempo decide soprar o destino, mudar o rumo e te apresenta alguém que você nem imaginaria que mudaria suas vontades por completo...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os poetas nunca dizem adeus

Girassóis cantam o vento, espalham a cor de sua juventude. Poetas sopram palavras, encantadas que florescem ao anoitecer. Pessoas são sempre diferentes e ainda que semelhantes cada tom tem sua peculiaridade. Não sei se acontecimentos são por acaso, nem se um coração pode pertencer a uma pessoa só. É tanto amor, tanta beleza escondida e esclarecida nas esquinas, é realmente muita festa em cada encontro. Os desencontros, ainda que confusos, vivem nos dizendo alguma mensagem, vale a pena guardar a essência em um frasquinho perdido na areia. E quando a gente acha um olhar que combina com o nosso, fica difícil não se entregar. Quando nos deparamos com poetas, loiros, altos ou carecas, dá até vontade de chorar. As lágrimas que caem são de pura emoção a cada detalhe que desvendamos, e é tanta coisa pequena que de pouco em pouco vai construindo um ser esplendido capaz de nos desmanchar por dentro. São detalhes, tantos e impecáveis que não dá pra crer que seja cabível em um único ser. Mas é verdade, a mais pura veracidade e estar perto de seres tão iluminados nos faz querer ser grandes ainda que nos sintamos tão pequenos. É doloroso deixar aquele olhar a desejar, sem poder na mão tocar. Mas sei que o caminho há de nos mostrar outras oportunidades de nos encontrar. Porque poetas podem até cantar partidas, mas nunca dizem adeus.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aquecimento

Nas janelas mais escuras, aquela que nem pano limpo clareia o embaçado, encontro na confusão o brilho de um olhar. Não que ele tenha uma luz tão vibrante, mas sua força vem do calor, de carinho. Eu, que lutei tanto por este amor, mal o vi chegar. Apenas corro contra o vento, sem deixar nada para trás, afinal nada me pertence. Talvez eu corra por mais aventuras, ou até mesmo desventuras. Talvez o tempo me amadureça como fruta que espera por cair do pé. Mas talvez, esta corrida que me aquece os pulmões e me avermelha as bochechas possa dar conta de toda euforia que carrego em um só peito. O corpo resiste até onde pode, até quando não aguenta mais seguir em frente. Mas ele aguenta, quando a alma não se arrebenta. Enquanto ela se invade de flores e incentivos, tudo é mais bonito, mais fácil de seguir em frente. Mas quando surge a dúvida, o trêmito de novo, é preciso dar partida. Coloco o tênis, amarro bem forte para que ele não solte mais.

Eu sei que só falo disso, mas sou toda amor.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Curtinhas, frases de amor

Eu sei que não pode, e sei que não devo também, tenho que seguir em frente... mas deixa eu ficar com você, só desta vez? Prometo não fazer barulho, fico só te observando. Se não quiser elogios tudo bem, fecho os olhos e não conto pra ninguém. De mansinho vou criando meus pensamentos, lembranças em que queria estar. Hesito, mas deixo sua mão quente de carinho, sigo o meu caminho que o vento irá soprar. Não te esqueço e na alma permaneço, a te amar.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ciranda

O amor que me enche por completo, que sopra em meu nariz o certo. Aquele que me faz pequenininho quando me pega no colo, de mansinho ocupa o seu espaço. Esse amor de desventuras, devaneios e às vezes desgosto. É um calor gostoso, de arder as bochechas e causar embrulho no estômago (antes sentir qualquer tipo de sentimento que pedir socorro por não ter nenhum deles). Um amor tão puro e sincero que enquanto o tempo fica velho, ele se renova. Que a distância não tem medida, nem poder. E por mais que a ciranda da vida gire aos desencontros, uma hora dá certo e o ciclo se fecha. De mãos dadas, pombinhos cantarolam ao por do sol, com os raios de luz nos olhos, denunciando a carinha de apaixonados. Um carinho à luz da lua, um aperto de mão, não sei se chega a ser paixão, mas é amor que não se vende, nem se encontra. Conquista-se.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Chamado divino

O dia em que ela se foi, velas foram levantadas ao céu, lágrimas escorreram pelo rosto. Sorrisos encantaram o arrebol, de orgulho, de saudade. Quem nunca havia trocado uma palavra sequer com ela se arrependeu, quem a tinha ao lado sentia sufoco no peito e falta já de sua presença.

Ninguém nunca pensou que ela faria tanta falta.

Deixaram para mais tarde, para amanhã, para depois, para quem sabe um dia. Um dia que nunca chegou.
Sua partida causou alvoroço, dentro dos corações aprisionados. Uma separação, ainda que incompleta, mas dolorida. Era muito carinho guardado, era muita história que não passou de devaneio. Ela não se importava com sua existência. Não da maneira que fazia acontecer. Revoluções aconteciam e era o que ela mais gostava de participar. Pena que não estava presente para ver isso.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ser criança, todo dia

Não passava dos dez anos. Tinha um porte baixo e ainda que menino, seu corpo denunciava um futuro belo homem. Cabelos castanhos escuros, com pontas encurvadas ao Sol. Todo fim de tarde ele sentava em frente a casa amarela para ouvir histórias de um pai e uma menina que, pela voz, não devia passar dos cinco aninhos. Sentava com as pernas de índio na beira da calçada e apertava as mãos, ansioso pela nova fantasia. Do outro lado do portão, os dois faziam de tudo... ora era show de mágica, ora peças de teatro. Tinha também cenas de filme e brincadeiras de boneca, todas as brincadeiras carregadas de muitas gargalhadas. E o menino, sozinho na rua, ria também. Em todas as histórias, a menina era sempre a mais bela e poderosa e mesmo que não fosse tudo isso, para aquele pai ela era sua princesa. Se a pequena chorava, o pai logo contava histórias de mulheres fortes para que ela pudesse se acalmar. E às vezes, sozinho na calçada, o menino chorava também (ele queria um colo de pai). Mas logo vinha um sorriso, pois ele acreditava que um dia poderia ser o heroi de alguém. Quando a lua já estava lá no alto, sua avó o chamava para dentro, era hora de dormir. Os dias tão gostosos o inspiravam a criar mundos e castelos em seu pensamento. Tudo era diversão, dos biscoitinhos da manhã ao leite para ir pra cama. E assim ele foi crescendo, amadurecendo e construindo caminhos de verdade, mas aquele garoto em seu peito nunca parou de sonhar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Feitiço

Ele é galanteador. Mexe com meu sorriso, aquele mais escondido. Às vezes chega a dar uma coceira danada na pontinha do estômago. Que delícia é sentir sua pele encostada na minha. Gosto mesmo é de sentir as bochechas grudadinhas, calor de um amor recém nascido. Ainda que o tempo passe, que eu aprenda seu jeito e todos os seus trejeitos, consegue me fazer boquiaberta. Presenteia-me só com sua presença, me faz criança, coisa de gente apaixonada. É fácil saber que sou toda dele, olho pro seu rosto e imagino o horizonte florescendo da manhã ao fim de tarde. Me faz viajar sem sair do lugar e mesmo que inconsciente, eu sei que já sou toda amor. Caio, ralo o joelho, sujo toda a botina e levanto mais uma vez. Choro pedindo colo e lá está ele todo pronto a me envolver. Canta com sua voz de poesia, faz de sua música o perfume de versos enfeitiçados. Aliás, que poesia o seu olhar! Mexe comigo e sabe o que faz, com um beijo na nuca me ganha, me faz mulher. Prazer, encanto!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Inconformismo

O mais difícil é começar. Questionamentos, dúvidas, decisões. O cérebro está mal acostumado a quem faça tudo por ele. Não precisa mais pensar, certo? Pra quê discutir se já existem tantas discussões no mundo. Basta ler, entender e pronto. Conformar-se com a situação é muito mais aconchegante para aqueles que não aspiram por aventuras. Mas estes pensamentos vazios esquecem que cada ser humano é endêmico: não há ninguém igual a ninguém em qualquer parte do mundo. Podemos até encontrar almas que falem a mesma língua que a nossa, mas nunca será igual. Vem daí o papo de que somos únicos e insubstituíveis. Puro clichê. Pura verdade. O fato é que eu cansei de tanta coisa! Cansei desse meu mundo limitado com palavras que eu uso todo santo dia. Cansei de me encolher em forma de feto e sentir o peito doendo. Cansei de esperar e esperar e esperar; Eu quero que aconteça. E pronto! Cansei talvez até daquele amor do mesmo jeitinho. Eu canso é de olhar para as pessoas e pensar em anjinhos, mas me enganar com a aparência. Exaustivamente meus olhos pedem por descanso, um pouco de paz. Eles não aguentam mais a realidade repleta de ações sem sentido. Mecanizadas. É tanto pra ler, tanto pra aprender, tantas paredes pra derrubar. Bem aqui dentro. Mas é certo continuar assim? Sobra conteúdo, falta diálogo (alguém lembra o significado dessa palavra?), discernimento. Dialética, interpretação, abstrações. O cérebro precisa de tempo pra digerir tudo. É isso que falta também. Tempo. Mudar o cotidiano pode ser complexo, mas basta pensar em asas pra tudo começar a melhorar. Tudo começa de dentro pra fora, inclusive o amor. Não há sentimento mais lindo que o amor próprio para ser sustentável. O mundo clama por isso. Pessoas humanas, inconformadas. Há tanto para se falar, protestar, mas a pausa fica aqui, para refutação, críticas, movimento. É preciso se inconformar, todo dia.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Quando não há mais ar

Sacadas e ventanias me fazem pensar, em como é bom fazer poesias diante do mar. Mas aquela imensidão de água não tinha sal, era doce, gosto de baunilha. Se lágrimas caem de meus olhos, pensamentos que voam antes de ter asas. Tenho medo de cair do telhado, machucar o corpo mais que o coração já todo ralado. Tudo besteira esse negócio de dificuldade. Elas nascem e florescem dentro de nós. O tempo é solução pra encontrar novos sorrisos quando o seu está em falta. Longos diálogos de madrugada com teu jeito de respirar, diafragma se movendo e te mantendo vivo, perto de mim. Se percebo que te procuro em algum canto, caraminholas da cabeça. É tempo de paz, tempo de correr atrás. De mim. Somente eu nunca vou me abandonar ainda que eu não seja minha melhor companhia. Um toque no nariz, coisa de gente apaixonada, abraços de vontade, um vazio de raro preenchimento. É certo que cada ser é único e insubstituível com seu detalhe impecavelmente belo, parecendo escultura. Mas às vezes dá um medinho das bobeiras que alimentamos. Um medinho bobo que tenta esconder o que sentimos. Que tenta te provar que você não é tudo aquilo. Que tenta te rasgar, pouco a pouco. Até amassarmos a folha e começarmos outra poesia. E ter paciência, descanso pro peito, por tanta luta.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Um post especial

Sim, é a primeira vez que coloco fotos por aqui. Mas esta eu realmente achei muito especial. Não porque se trata de um fim de tarde em que o céu estava mostrando - mais um vez - seu charme, mas porque eu estava me sentindo como ele no momento da foto. Eu estava rosa por dentro. Como se não existisse problemas, apenas soluções. Eu apenas observei a verdade como ela realmente é! Desejo mais fins de tarde como estes em minha vida. E na sua também. Não só fins de tarde, mas começo de dias, fim de noites, caminhos da vida. E por mais que o dia esteja chuvoso, no meu mundo, meu fim de tarde é assim.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Bilhete

Andava em passos lentos, admirando a cidade. Era raro fazer aquilo em dias livres, quem dirá num dia agitado da semana. Mas o Sol pedia, o entardecer e todo o conjunto que se formava em volta também. Prestava atenção em cada detalhe e descobriu que nunca havia reparado no que existia ao seu redor. Alguns detalhes bonitos, outros nem tanto, mas o passeio estava valendo a pena da mesma maneira. Olhou para o chão, um bilhete de loteria. Ocupou então um pouco de seu tempo observando os números, a textura do papel, mas logo sua atenção foi para outro assunto e nem notou quando arremessou o papel no lixo. Ele não era de acreditar em sorte, nem destino, ele não acreditava em nada.
A loteria sorteou os números aquela noite. Exatamente os mesmos arremessados ao lixo.

Muitas vezes jogamos fora nosso bilhete premiado.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Toda ela

Ela era cheia de manias. Desconexas, incessantes, incomparáveis. Mas o conjunto de todas elas resultava numa beleza que fazia das pessoas encantadas. Ela podia negar, mas somente ela conhecia cada pedaço de seu todo.

Somente nós nos conhecemos por completo.
Dormia em forma de meia lua, como se a lua estivesse nela. Era muito bem o que queria. Ou então alguém que completasse aquele espaço formando lua cheia. Suas confusões nos deixavam malucos, por mais. Mais sorrisos, mais aventuras, mais daquela coisa boa. Mais da delícia que era dançar com ela.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Falta

Às vezes eu passava em frente a padaria que tomávamos café. Sentava, pedia o mesmo que toda manhã. Digeria ali sozinha o que antes era observado com amor. Digeria o próprio amor. Às vezes pegava o carro no final de tarde e descia correndo para a praia, para assistir ao pôr do sol. Às vezes eu deitava do meu lado da cama só pra pensar que alguém podia aquecer o outro lado. Tinha vezes que eu até comprava duas escovas de dentes, duas barras de chocolate, dois livros de história. Tudo na tentativa de que alguém pudesse preencher aquele lugar. O às vezes não tinha eficácia alguma, era o coração que não aguentava mais reclamar pela a ausência, era a alma que clamava por novas aventuras. Era o peito, ainda preso que chorava pela chave do cadeado perdida.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Peça de teatro

É assim que denomino o amor. Às vezes doce, às vezes dor, mas o papel principal fica por conta daquele que vai de vida a morte num período de tempo curtíssimo. A princípio o personagem é ridículo, faz de seu cotidiano uma chacota. Depois se torna belo, herói. Um herói que nem sempre vence, que sente vergonha, que tem suas fragilidades. Ele é apenas um humano quando tira a sua capa, e teme o amor. Esse que muitas vezes é passado por vilão, mas a verdade é que heróis sentem medo dele e até um pingo de inveja devido a sua força incrível. É essa a palavra: incrível; Incrível como descobrimos atores dentro de nós que nunca viveriam não fosse esse encantamento. Transformamo-nos em seres inanimados, em mágicos, transformistas, palhaços e até mesmo monstros. Cutucamos sentimentos que gostariam de ficar quietinhos, adormecendo por toda a vida. Mas somos aventureiros, queremos adrenalina, somos filhos da teimosia. Ainda que machuque, é preferível arriscar a manter-se na mesmice, a vida é feita pra isso mesmo, viver. É cedo pra poupar sorriso, é tarde pra voltar atrás. Curioso mesmo são as máscaras colecionadas no baú. De monólogo a uma trama de sucesso, passamos por todos os estágios numa piscadela só. E além de nós mesmos, nosso único público fiel é a sombra que carregamos denunciando quem realmente somos, alertando cada passo, nos fazendo reviver situações que imploramos para esquecer. Às vezes a vida anda, mais rápido que nós. Ela é ligeira, um jogo de tabuleiro. Se cairmos na casa errada perdemos a vez, mas se tivermos sorte ganhamos um empurrão e nos aproximamos do grande pódio. Uma maratona de tentativas. Do limbo ao céu, as luzes se apagam ao final do espetáculo, mas a peça continua, dentro de nós.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Guerra de travesseiros

Risadas saiam da janela e davam de encontro com os últimos resquícios de raios de sol. Uma garota de camiseta e calcinha, um rapaz vestindo shorts. A tarde abraçava ambos, que conversavam à beira da janela. Apaixonados como passarinhos a cantarolar.
- Ei, que tal... que tal... peraí. - Iniciara o rapaz, deixando uma incógnita do rosto da garota.
Travesseiro no rosto, confusão na cabeça, saliva na fronha e a guerra iniciara. Foram poucos agitados minutos causadores de dor na cabeça, gargalhadas de ambas as partes, frêmito dos orçãos, trânsito nas veias. Tudo ao mesmo tempo exercendo o seu trabalho e o chefe coração coordenando a orquestra. Às vezes era comum o casal encenar uma briga apenas para causar essa movimentação novamente chamada adrenalina. Eles achavam gostoso sentir aquilo, se surpreender com a palpitação da pele, com o suor do rosto. Reinventar era lei naquele lar que o sol aquecia e a lua iluminava. Do lado de fora da janela, as pessoas achavam que eles tinham certo problema conjugal, uma bobeira danada.
Quem não sente de verdade, não sabe o que acontece na realidade.
Às vezes brincavam de piratas, às vezes dançavam música clássica. Ora eram flores de presente, ora caixas de chocolate. Tinham as lágrimas e os leves choques no peito também, que depois se transformavam em energia para começar tudo de novo. Assim eles seguiam cada dia, fazendo o que dava vontade. Mirabolâncias a parte, até que eles se davam bem. E isso não cabia a mais ninguém.