quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Falta

Às vezes eu passava em frente a padaria que tomávamos café. Sentava, pedia o mesmo que toda manhã. Digeria ali sozinha o que antes era observado com amor. Digeria o próprio amor. Às vezes pegava o carro no final de tarde e descia correndo para a praia, para assistir ao pôr do sol. Às vezes eu deitava do meu lado da cama só pra pensar que alguém podia aquecer o outro lado. Tinha vezes que eu até comprava duas escovas de dentes, duas barras de chocolate, dois livros de história. Tudo na tentativa de que alguém pudesse preencher aquele lugar. O às vezes não tinha eficácia alguma, era o coração que não aguentava mais reclamar pela a ausência, era a alma que clamava por novas aventuras. Era o peito, ainda preso que chorava pela chave do cadeado perdida.

2 comentários:

  1. Não confio no 'ás vezes', sou mais adepta do 'de repente'. Assim é tudo sempre mais surpreendente, mas pra isso, não espera nada de nada, não age esperando por nada em troca, apenas faça o que lhe vêm da mente e do peito.

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