quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ser criança, todo dia

Não passava dos dez anos. Tinha um porte baixo e ainda que menino, seu corpo denunciava um futuro belo homem. Cabelos castanhos escuros, com pontas encurvadas ao Sol. Todo fim de tarde ele sentava em frente a casa amarela para ouvir histórias de um pai e uma menina que, pela voz, não devia passar dos cinco aninhos. Sentava com as pernas de índio na beira da calçada e apertava as mãos, ansioso pela nova fantasia. Do outro lado do portão, os dois faziam de tudo... ora era show de mágica, ora peças de teatro. Tinha também cenas de filme e brincadeiras de boneca, todas as brincadeiras carregadas de muitas gargalhadas. E o menino, sozinho na rua, ria também. Em todas as histórias, a menina era sempre a mais bela e poderosa e mesmo que não fosse tudo isso, para aquele pai ela era sua princesa. Se a pequena chorava, o pai logo contava histórias de mulheres fortes para que ela pudesse se acalmar. E às vezes, sozinho na calçada, o menino chorava também (ele queria um colo de pai). Mas logo vinha um sorriso, pois ele acreditava que um dia poderia ser o heroi de alguém. Quando a lua já estava lá no alto, sua avó o chamava para dentro, era hora de dormir. Os dias tão gostosos o inspiravam a criar mundos e castelos em seu pensamento. Tudo era diversão, dos biscoitinhos da manhã ao leite para ir pra cama. E assim ele foi crescendo, amadurecendo e construindo caminhos de verdade, mas aquele garoto em seu peito nunca parou de sonhar.

Um comentário:

  1. Palavras bem dispostas e um caminho coeso, atras da compreensao e do fetiche sonhado.
    Nada como pequenos seres, que não viram mto ainda, para ser assim, ingenuo no melhor e mais gostoso sentido da palavra.
    Queria voltar a ser assim um dia.

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