quinta-feira, 28 de julho de 2011

Quando toca o alarme

Sirene. Alarde. Coração na mão. Não era de imaginar, mas ele fugira daquela prisão.

Cansado de correr, não sabia qual direção pegar, mas continuava sem medo de tentar. O breu à sua frente limitava sua visão a poucos milímetros de seu nariz, era hora do instinto atacar.

De repente, à sua frente, ouve uma respiração tão ofegante e próxima quanto a sua. Medo, frio na barriga e formigamento nos pés.

O choque entre ambos foi tão imenso que quase não coube conversa nesse encontro. Só susto. O clima de suspense aquecia a alma daqueles aventureiros que nada faziam além de viver.

De início mal sabiam a feição de cada um, sentiam apenas o ar que exprimiam da boca. Depois encostaram uma mão na outra, sem querer. Erro mais danado de bom. Começaram a tatear o rosto, as mãos, o ombro, uma bela combinação no escuro.

Sabiam que não deviam, mas continuavam mesmo assim.

Suspeitos. Acusados. Confessos. Mas possivelmente, reféns.

No entanto, ainda que aquele momento fosse eterno, era hora de partir. Cada um tinha uma direção a seguir, um sopro. Era até pecado dissolver tal amor insolúvel, mas ninguém ia entender. Ninguém poderia saber. Uma semente que nasceu e floresceu em cada um, e que permaneceu por lá também. Não cabia a mais ninguém compreender o que acontecia naquele escuro. Não no mundo real.

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