terça-feira, 5 de julho de 2011

É isso aí

Todo começo de madrugada, Wilson embarcava na estação Barra Funda. Um cotidiano ardente, seco, uma mesmice quase fracassada.

Passava o dia inteiro vendendo balas nos faróis das cidades. Em seu histórico profissional, já arrumara brigas, amigos, amores, olhares, mas assim como os carros, as pessoas o deixavam pra trás em sua rotina massante. Ouvira certa vez que seu trabalho (de pedinte?) não lhe daria nenhum futuro, mas era o que ele melhor sabia fazer. Quando o sol estava encerrando seu expediente, Wilson descansava exatos dez minutos para fazer sua única refeição do dia.

O relógio apertava o tempo e mostrava meia noite, hora dele embarcar no último vagão com o que lhe restava de produto. Tentava levar para casa mais alguns míseros grãos de sustento, mas o que ninguém percebia é que Wilson era mestre em observar, as pessoas. Em como os dias passam e os sentimentos ficam para trás e o que importava se desfazia nos dedos. O pobre moço não vendia apenas balas, vendia vida, esperança.

Ele podia até não saber, mas ele era o próprio exemplo de que fugir dos desafios é para os fracos. Ou medrosos. Existem milhares de pessoas que achamos que conhecemos e não nos acrescentam em tanto. Mas então o tempo decide soprar o destino, mudar o rumo e te apresenta alguém que você nem imaginaria que mudaria suas vontades por completo...

2 comentários:

  1. O começo me lembrou uma das crônicas do Bellini. Depois disso, vc preencheu com sentimentos, coisas que eu sempre consigo perceber nos seus textos. Quando eu acabei de ler, eu fiquei um pouco pensante, refletindo. Fazia tempo que isso não acontecia. Valeu, J!

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  2. Que lindo Ju! Muito bonito mesmo, uma ação que todos cometem e talvez nunca tenha parado pra pensar... todos estão muito certos pra prestar atenção nisso. ;*

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