domingo, 14 de agosto de 2011

Um conto para fazer dormir

Era noite quando o despertador tocou. Sem sirene, mas com amor. Naquele luar, Caco deixou voar seus versos. Olhou para aquela simpatia de pessoa, se enfeitiçou. Joana, meiga como flor, forte como fronte de navio. Ela tinha um apreço de dar água na boca. No turbilhão de tagarelices nada mais importava a não ser um olhar fixado no outro. Eles sabiam que o silêncio entre eles era causado por milhares de palavras e pensamentos que ansiavam por fugir. Era tão profundo e intrínseco aquele instante que ardia a ponta dos dedos pelo toque antecipado.

- Tome, deixou cair do seu cabelo. - disse Caco à Joana, entregando-lhe uma flor.
- Mas não é... ah, muito obrigada. Seu nome é...? - perguntou Joana.
- Caco! O seu é Joana que eu sei, muito prazer, encantado. - respondeu Caco não se contendo com tamanha sensibilidade.

Reconheceram de imediato uma força do peito fora do normal, e se surpreenderam com o frio na barriga causado pelo medo e desejo em harmonia.

É gostoso escrever um pouco desse meu rascunho de história. Mas não me culpe por não ter terminado nem me questione se é verdade ou fantasia. O fato é que respiro meus desenhos acabando por trazê-los diversas vezes à realidade. É ingênuo eu sei, mas são tantas as formas de amor que me desespero por querer conhecê-las, por ser tão intensa assim.

E naquela noite, as palavras rasgavam a garganta de cada um, para descobrir mais do outro, para viver e respirar mais a história que estava por vir.

Assim como o vento, eles não sabiam onde iriam parar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Linear

É um amor tão utópico que não chega a existir na cabeça de outrem.

São fatos, frases, nuances em fotografia. Loucuras em forma de gente que não se concretizam no mundo real. São passagens, momentos, instantes, detalhes. São, até mesmo, palavras alheias ao vento que, quando capturadas, não se preocupam em torcer o peito e fazer do conjunto uma linda confissão de amor.

São histórias, filhos que não existem de pessoas sonhadoras, que nasceram e viveram de maneira diferente do que realmente acontece na mente.

Suspeito até chamar de plano B, mas esses contos que vivo cantarolando aos quatro cantos são histórias do passado, frutos de um futuro que nunca existiu.