terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A arte de fluir

Quantas histórias giram o mundo. Que saem às pressas das caronas dos carros e entram pelos portões. Que preenchem os toques no ombro depois de tanto tempo inquieto no peito. Que te olham no fundo dos olhos por uma fração de segundo, mas fingem não ver. Quantas lágrimas se escorrem do peito machucado que mais uma vez se levanta. Quantos sorrisos com toques conquistamos ao longo do dia, no simples gesto do “sem querer”. Quantas saudades ficam nas palavras que sequer escritas em um papel permanecem. É difícil entender que a arte da vida é feita destes pequenos detalhes que acontecem todos os dias, mas nunca são iguais. Estão ali, expostos para todo mundo ver, literalmente na cara do gol. Mas deixamos, enrolamos, fazemos do jeito mais fácil que é esperar para receber. Só quem esquece do que já existe e começa tudo de novo é que percebe o quanto o mundo gira e nunca para no lugar. No mesmo lugar. São perdas, vitórias, reconquistas que podem não voltar. Mas tentamos porque o ser humano nunca fraqueja quando a palavra é lutar. Que mesmo depois de um período extenso de trabalho, foge da rotina, mas pensa sempre em voltar. Que curioso são essas etapas da vida!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Entrelaçados

Mais um dia qualquer na agenda dos paulistas: céu nublado, dia corrido, metrô lotado. Item por item, a lista vai se preenchendo com fatores rotineiros até a hora que exaustam qualquer ser humano. Não na vida de Bruna e Igor.

Namorados. Igor acabava de sair do trabalho, Bruna seguia para a faculdade. Um dos poucos momentos que estavam juntos era a trajetória que faziam e por isso não podiam desperdiçar tempo.

Apaixonados. Olhavam-se nos olhos, se encostavam com movimentos delicados como se os empurrões das pessoas no metrô não afetassem em nada nem em uma muito menos a outra ação. Era até gostoso quando, de súbito, se tocavam. Era encantamento.

- Amor, fiz dois presentes para você. – disse Igor um tanto acanhado.

- Ah, não acredito! Jura? Obrigada amor, não precisava. – responde Bruna surpresa e admirada.

Igor retira com esforço a mochila das costas e começava a abri seu zíper.

- Mas...espera! Você vai me entregar aqui os presentes? – indaga Bruna com o coração a palpitar.

- Claro! Por que esperar mais? – responde Igor com sorriso de orgulho no rosto.

Ele entrega duas folhas: dois desenhos feitos com todo carinho de um primeiro amor.

- Olha, o primeiro eu fiz para você...

- Colocar no armário, não acredito!

- Isso! O segundo eu fiz pensando em todos os desenhos que já fizemos. Misturei um pouco dos meus traços com os seus, espero que goste amor. – finaliza Igor com as bochechas rosadas.

- Ah, mas é claro que eu gostei! Em que hipótese eu poderia não gostar?- responde Bruna com as lágrimas transbordando aos olhos e borrando a vista dos óculos. – não tenho nem palavras, obrigada mesmo querido!

Ambos se abraçam em meio a beijos delicados. Se olham como se estivessem a sós. Como se o metrô fosse a sala da casa de alguém. Como se a vida fosse para ser vivida intensamente, não importa onde. Como pessoas esquisitas, que por mera anormalidade eram felizes.

(baseado em fatos reais).