Mais um dia qualquer na agenda dos paulistas: céu nublado, dia corrido, metrô lotado. Item por item, a lista vai se preenchendo com fatores rotineiros até a hora que exaustam qualquer ser humano. Não na vida de Bruna e Igor.
Namorados. Igor acabava de sair do trabalho, Bruna seguia para a faculdade. Um dos poucos momentos que estavam juntos era a trajetória que faziam e por isso não podiam desperdiçar tempo.
Apaixonados. Olhavam-se nos olhos, se encostavam com movimentos delicados como se os empurrões das pessoas no metrô não afetassem em nada nem em uma muito menos a outra ação. Era até gostoso quando, de súbito, se tocavam. Era encantamento.
- Amor, fiz dois presentes para você. – disse Igor um tanto acanhado.
- Ah, não acredito! Jura? Obrigada amor, não precisava. – responde Bruna surpresa e admirada.
Igor retira com esforço a mochila das costas e começava a abri seu zíper.
- Mas...espera! Você vai me entregar aqui os presentes? – indaga Bruna com o coração a palpitar.
- Claro! Por que esperar mais? – responde Igor com sorriso de orgulho no rosto.
Ele entrega duas folhas: dois desenhos feitos com todo carinho de um primeiro amor.
- Olha, o primeiro eu fiz para você...
- Colocar no armário, não acredito!
- Isso! O segundo eu fiz pensando em todos os desenhos que já fizemos. Misturei um pouco dos meus traços com os seus, espero que goste amor. – finaliza Igor com as bochechas rosadas.
- Ah, mas é claro que eu gostei! Em que hipótese eu poderia não gostar?- responde Bruna com as lágrimas transbordando aos olhos e borrando a vista dos óculos. – não tenho nem palavras, obrigada mesmo querido!
Ambos se abraçam em meio a beijos delicados. Se olham como se estivessem a sós. Como se o metrô fosse a sala da casa de alguém. Como se a vida fosse para ser vivida intensamente, não importa onde. Como pessoas esquisitas, que por mera anormalidade eram felizes.
(baseado em fatos reais).

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