segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ligações

São elas que me fazem procurar o celular no meio da noite só para ver se você me tocou. Que me lembram nossas histórias, nossas risadas e suas tantas palavras que escrevia em minhas anotações só para tentar registrar aquela lembrança. São as ligações que não me separam do seu corpo, seu sorriso e seus olhos que de tão gigantes engolem toda minha vontade e coração.

Fico toda ligada em você quando aquele abraço apertado me vem do nada, do meio da pista, de um corredor estreito onde não se pode ver o fim, só a curva. São nossas ligações que me constroem um passado tão romântico e por vezes piegas. Que me pegam pedindo ajuda a guarda-chuvas no meio da rua só para me fazerem chegar lá, onde você está. Consigo te encontrar no escuro, no claro, no meio de um sonho ou de um pesadelo quando você está lá para me puxar.

Me ligo em você quando vejo que somos versões parecidas em corpos e pensamentos tão distantes. Às vezes eu só queria enxergar o mundo como você enxerga: bonito, transparente e cheio de horizontes. Você é uma mistura de feitiço, de todos em um, de cheiro de chuva com sabor de criança quando acaba de nascer. Uma lágrima que escorre dos olhos quando falamos dos nossos pais e que abre o sorriso por saber que aquele sentimento compartilhado é ainda mais intenso. Eu tenho saudades, tenho medo, frio na barriga. De perder qualquer minimalidade do seu corpo e deixar de gravá-la em mim.

Eu sinto falta, sinto apego, sinto distância, aquela que é tão grande que fica impossível de matar em uma vida. E apesar de todas essas fissuras, desfechos, desencontros, cicatrizes, roda viva, brincadeiras, e um dicionário todo para descrever você, eu sei que nunca vai se acabar todo esse desenrolar, porque a ligação que me mantém ativa na linha, não me deixa sequer por um segundo me libertar destes momentos que construímos no silêncio, no sorriso. E pra todo mundo ver se quiser enxergar. São essas ligações, estradas da vida que me levam com você e você comigo onde eu estiver.

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