sexta-feira, 18 de maio de 2012

Minha alma gêmea é brasileira


"Sinceramente,

Não tem o que falar. Ele já estava ali, com os pés na areia, a prancha nos braços e os olhos iluminados pelo sol. E eu, que mal sabia falar “Oi” em outra língua, fiquei sem palavras com sua presença ali, bem pertinho de mim. Já não via mais ninguém a não ser suas expressões, seu jeito leve como o mar que vem e vai e me leva pro seu horizonte.
Em pouco tempo já nos aproximamos com as risadas, os carinhos e principalmente as conversas entre olhares já que até então, não entendíamos um ou outro. Besteira!

Quem precisa falar quando o olhar já diz tudo?

Um beijo, um sopro, um fim de tarde ao seu lado, era tudo o que eu queria. E principalmente descobrir que com você eu poderia voar. Um anjo, alguém que não poderia existir. Um namorado, amante, pai, irmão, amigo, um super herói. O meu conto de fadas estava todo lá, dentro daquele peito e corpo que agora só pensava em avistar o mar para pegar a melhor onda.

Eu mal o conhecia e já escrevia nossa história, para que um dia todo mundo pudesse se emocionar. Encantador era isso que iam achar dele quando lessem da primeira à última linha. Era isso que eu senti desde o primeiro momento. Meu capítulo, meu mochileiro, minha história, meu amor. Não é um conto de fadas, porque é melhor de tudo que já imaginei. E por escrever essa história ao seu lado desde o momento que te conheci, hoje não durmo apenas para sonhar, mas para sentir sua alma doce e lhe agradecer dia a dia por estar ao meu lado."

Em homenagem a um amor de conto de fadas.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Impasse


Ele saia com a bola, todo desesperado atrás do gol. Em flashes, ia construindo o caminho para alcançar o sucesso. Era talentoso, charmoso e tinha uma formosura de cair o queixo. Não desgrudava da bola. Pelo campo, conquistava pouco a pouco seus adversários, que liberavam o caminho para ele passar. Apesar de saber que fazia bem o seu trabalho, tinha um exagero exacerbado pelo gol, que parecia cada vez mais longe apesar de estar na ponta de seu nariz. Cauteloso. Era assim que se movimentava, mas não deixava a ousadia para trás. Queria mais, sempre mais: o passe perfeito, a luta honesta, os movimentos feitos com maestria. 

Perfeccionista e rigorosamente exigente com sua capacidade. Sabia que podia mais e por isso conseguia se criticar em cada lance. O jogo sempre começava com a bola em seu pé e a mira na palma da mão, mas não bastava. Ele precisava de uma venda nos olhos para esconder o campo livre e encontrar impasses a cada passo. Coitado, tanto talento para a luta com um único concorrente: ele mesmo. Não é à toa que na hora de tomar a decisão certa, bem na boca do gol, ele pisava duas vezes no chão e dava tempo para o batalhão chegar e roubar sua grande jogada. Apesar da tabela de gols não ser nada humilde, também não era lá essas coisas. E isso também o incomodava: essa falta de capacidade de se deixar levar. O melhor do mundo já nasceu grande e por isso não conseguia enxergar seus potenciais.

Agora, no jogo da vida, ele corre atrás de defeitos para enxergar suas qualidades que estão ali, intrínsecas e prontas para mexer as redes e dar orgulho aos poemas e rimas que lhe aguardam para festejar.