segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O arrebol de Marisol

Toda manhã, exatamente às seis e meia, Marisol esticava as pernas até sua plantação de corações. Ela regava, cuidava e até fazia um carinho quando terminava a poda, tudo na medida certa para não sufocar os frágeis coraçõezinhos. Tudo para eles não irem embora. O horário em que Marisol acordava era pontualmente quando o arrebol nascia junto ao sol. Com aquela cor avermelhada, o ar levemente morno e macio às narinas. Ela sempre fechava os olhos e, com uma respiração bem profunda, sorria. Dizia sempre que era um novo começo, um dia totalmente especial.

O chapéu, sempre na cabeça, protegia suas sardinhas do rosto deixando um ar de mistério sob o olhar na menina, que mal chegara à puberdade e já era linda como a lua. Na mão, um lenço branco acariciava o chão quando ela chegava e fazia a saudação ao sol. Nos pés, apenas sorte. Ela adorava sentir a terra entre os dedos massageando sua alma. Na mente, apenas a intenção de fazer o bem. Desde o dia em que Marisol decidiu cuidar dos corações como quem cuida de uma plantação de flores, eles nunca mais foram embora. Ela não esperava nada deles, nem mesmo uma despedida. Apenas sentia que devia estar ali todos os dias para doar todo o carinho do mundo. Sem esperar nada. E assim se satisfazia por completo. E cumpria sua missão a cada dia. E a cada novo coração que chegava e partia.

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