segunda-feira, 4 de março de 2013

Confetes


Dentro do carro, os dois se olhavam pelo canto do perfil.
Cortavam-se adentro escondendo tamanhos desejos da carne.

-          Bom, acho que é isso. Obrigada mesmo pela carona.
Não sabe como me ajudou.
-          Quê isso, não tem de quê...

(...ambos se olharam. E sorriram...)

-          Ta, então tchau. A gente se fala, certo?
-          Claro...é, espera! Posso te dizer uma coisa?
-          Sim, fique à vontade.

(...silêncio...)

-          Ah, só queria falar que você é muito bonita. Muito mesmo.
E não digo só de beleza, o que já é obvio, mas por dentro. Seu coração...
É simplesmente o mais puro que já conheci. É lindo de verdade. Parabéns!

(...sorrisos...)

-          Poxa, que palavras lindas. Só posso dizer que tudo isso é recíproco em relação a você, se não mais. Você é maravilhoso, carinha. Espero de verdade que a vida possa abençoar muitas pessoas com esse seu sorriso todo gigante.

(...silêncio de novo...)

Os dois se olhavam e por mais que nada saísse da boca, se entendiam.
Então, ele colocou a mão em seu peito. Massageou seu ego, deixando-a corada.

-          Olha só! O seu coração está batendo tão vivo.

Calmamente, ela caminhou as mãos pelo corpo dele chegando à boca. Tocou nela com o mesmo cuidado de quem toca uma viola no fim de tarde.

-          O seu também.

Aproximaram-se vagarosamente. Encostaram a ponta do nariz. Entrelaçaram os dedos. Beijaram os lábios de suspense.

E nunca mais se olharam de perfil.

Um comentário:

  1. Eis o grande segredo: jamais se contentar com o perfil.

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