terça-feira, 30 de abril de 2013

Carta de despedida


Hoje eu chamo de quebra de ciclos.

Sim, eu estou abrindo mão de tudo o que sempre quis. Com meus 100%.
Eu sempre quis fazer as pessoas rirem, ser apaixonante, perfeitinho erro. Eu sempre quis ser mãe de família com emprego fixo, ser reconhecida por alguma coisa, ser olhada por todos e ainda empinar o queixo. Eu sempre quis ser amada sem necessariamente amar. Eu sempre quis ser a melhor redatora, a melhor amiga, a melhor mulher, a melhor aluna. Eu sempre quis ser puxa saco. Eu sempre me cobrei demais.
Eu sempre quis ter a resposta na ponta da língua. Eu sempre quis saber tudo quando o melhor era saber nada. Eu acho até que sempre fui egoísta comigo mesma. No meio disso tudo, de tanto querer o que nada tinha, acabei não vendo o que eu estava sendo. Nem enxergando as possibilidades. No que eu acreditava. Nas minhas crenças. Nos valores que compunham minhas notas. E vivendo somente em devaneios eu esqueci de simplesmente ser. Mas nesse “bololô”, a vida fez questão de me acordar. Mostrando que em grande parte das situações eu era normal, que pessoas têm todo o direito de me apagar da vida delas, que talento se encontra todo dia e que um dia eu não vou mais ser novidade. Eu percebi que não precisava ser nada do que sempre quis. Só ser de verdade. Mas o que eu realmente sou? E por que me importo tanto em ser o que todo mundo procura? Eu só tenho 20 anos e já repeti ciclos na minha vida como quem repete figurinha. Na verdade, eu vivia repetindo isso todo santo dia.

CHEGA!

Eu não quero mais uma vida planejada nem ter a obrigação de arrancar o sorriso de alguém. Infelizmente eu vou decepcionar outrem qualquer hora, mas pra pensar no próximo eu preciso ser assim. Eu e só isso. Só me aceitar. Só aprender que nunca serei igual ao outro e simplesmente por isso não existe competição. Que a maioria das coisas que a gente escreve ou lê a gente já sabe, mas leva um tapa na cara quando se depara com a própria opinião na boca dos outros. Eu só cansei de viver calada, na miúda, seguindo o padrão. Talvez seja ruim e eu vá levar muito “não!” na cara, mas só testando pra saber se um dia ganho um tão sonhado “sim”. Eu quero conquistar tudo de novo mesmo que eu nunca tenha tido (ou sido) nada. E deixar tudo o que fiz lá atrás, escrito no livro. Há tantos outros capítulos esperando por mim, pra quê me prender agora (justo agora) a rabiscos jogados ao redor do lixo?

Estou em queda livre, sem paraquedas, mas nunca estive tão segura que ser eu mesma é a coisa mais certa que posso fazer.

“A mando do nada, ela largou todos os sonhos e foi ser feliz”.
(autor desconhecido)

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