terça-feira, 13 de agosto de 2013

Apologia

Uma vez me disseram que apenas um sentimento permeava o mundo: o amor. E foi através de seus desdobramentos que muitos outros passaram a existir. Milhares bons. Outros nem tanto. Mas todos com uma raiz ali nele. No amor. Parei pra pensar neste dia “Mas como? Não é possível que a raiva, a inveja, venha do amor”. À primeira instância não levei muito a sério um papo furado como esse. Só sei que achei muito complicado esse delicado tricô de nós e linhas finas que tecem nossas emoções. Aí eu parei pra pensar no que eu realmente achava do amor. Comecei a procurar de boca em boca, perfil em perfil definições pelas quais eu me identificasse. Chorei com lindos manifestos tangibilizados em ações, e me decepcionei também com taxações alheias. Então descobri que o amor não era nada daquilo que eu estava procurando. Ele não era liberdade, não era relacionamento. Não era tesão, tampouco ressentimento. O amor não era inveja, nem glória. Não era história de 30 anos nem de 30 segundos. Não só isso. Ele é mais. Muito mais que qualquer tentativa de descrição. Ele é tão meloso que nos torna firme, tão concreto que nos desmaterializa a cada vez que um novo filtro de mundo nos surpreende. Um sorriso de canto. Uma lágrima de dor. Um desentendimento por ciúme qualquer, dos mais aleatórios que sejam. O amor, quando existe (sempre!), é um eterno renascimento. Um camaleão na flor da idade, viril e perene. Um sentimento tão bonito que fecha a garganta permitindo que o peito aguente mais ar que é capaz, sem doer. Um sentimento tão sincero que desperta a imaginação e os pensamentos mais ousados. Um origami sem fim, de infinitos desdobramentos.


Parei. Porque comecei a fazer o que tinha dito que o amor não era: descrições.
Então vai amor, voe! E seja assim, um admirável sopro de vida e intensidade que nos invade todos os dias com venturas que sempre terminam e começam em você.