domingo, 14 de setembro de 2014

Hasta!

Pensei em muitas palavras para começar este fim.

A verdade é que eu não levo jeito para despedidas.
Me vejo sem ação e prefiro ser breve, apesar de querer ficar.

Foram quase 5 anos de blog e foi engraçado perceber quantas "Ju's" escreveram aqui. Mesmo querendo, mas não tendo noção de cada um que já passou por algum post, agradeço. Entre um pensamento e outro, esta foi uma das maiores forças para continuar: saber que alguém, em algum lugar, dedicou um tempinho para ouvir estes sussurros.

Doi acenar um "adeus", mas saibam que no fundo é só um "até logo".
Um ponto final para começar o próximo parágrafo com novo fôlego.

Com uma amiga aprendi a gostar da palavra "hasta!".
Um jeitinho de mostrar que estarei sempre aqui... 




quarta-feira, 2 de julho de 2014

Dor do crescimento

Faz um tempo, mas me lembro das dores que tinha quando era pequena. Dores no corpo, nas pernas. Sempre que me queixava, minha mãe dizia "é dor do crescimento, filha". Talvez fosse mesmo. Eu sempre fui uma das mais "grandinhas" da minha turma e chorava por isso; não podia entrar na maioria dos brinquedos para minha idade. Dor do crescimento. Ou talvez fosse um jeito da vida me fazer amadurecer um pouco mais rápido. Hoje, minhas queixas sobre as dores no corpo não são mais porque estou crescendo de altura; é pela postura errada mesmo. Mas, confesso, vez ou outra ainda me pego triste pelos parquinhos que não posso brincar: ou já "passei da idade" ou "ainda não tenho dela o suficiente". Dor do crescimento. Ser grande deve ser coisa séria. Talvez seja por isso que às vezes doi.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Último adeus

Eu queria que você lesse isso. Sei bem que é desatento, e que às vezes mal vê o que grita em seus olhos. É natural, todo seu, todo você (e confesso ser até bonito). Eu queria que, pelo menos uma última vez, você passasse por aqui. Porque quero dizer que está tudo bem. Eu ando diferente, talvez se você me enxergasse por dentro mal me reconhecesse. Ando meio machucada também. Não posso negar que saber que tomou outro rumo me doi, e muito. Doi saber que aquelas lembranças que ainda passeiam em minha cabeça agora, mais que nunca, são só minhas. E que sim, de vez ficaram no baú de nossas histórias. Doi pensar que seu sorriso ingênuo tem dono, que seu abraço aquece outro coração, que sua disposição atende outros desejos. Doi, mas não mata. Porque já não te amo mais como te amei, sei que nossos caminhos são diferentes. Ainda assim, quando lembro de um amor, você aparece entre um turbilhão de pensamentos. Talvez porque tudo tenha sido intenso demais, novo demais para mim e os sentimentos ainda me sufocam, de coisas boas e nem tão boas assim. Fica tranquilo, eu estou seguindo em frente como posso, como consigo e sei que esperar uma palavra sua ao vivo é realmente querer demais. Eu tenho essa coragem, mas não quero te constranger, por isso resolvi escrever aqui. Pra continuar tudo tranquilo como sempre esteve. Eu já te falei isso e repetiria quantas vezes fosse preciso: você me fez muito feliz. E eu sou eternamente grata por cada segundo vivido ao seu lado. Valeu a pena, cara, e como. Agora, não me olhe com pena, eu odeio isso. Odeio porque não é isso que deve prevalecer depois de tanta coisa boa. Se for pra olhar para mim, que seja com um sorriso no rosto, com lembrança boa no peito.

Muito provavelmente eu pare de ver por onde anda, ou o que está fazendo. Eu pare de me preocupar com o que pensa sobre o futuro porque agora sei que já escreve um. Então, se eu ainda tiver esse direito, posso pedir uma coisa? Diga à sua família que ainda amo muito cada um e lembrá-los me dá vontade de abraçar alguém. E por último, mas não menos importante: faça de tudo para ser feliz, ok? Porque é isso que desejo a você e sempre desejarei, independente de qualquer dor que ainda me faça chorar pelas esquinas e despedidas. Seja feliz porque sua energia irradia o mundo e ele precisa da sua atenção para girar e iluminar muita gente. O que é nosso está pra sempre guardado aqui dentro. Agora, vai e busca o que é teu garoto e se precisar, sabe que sempre você pode contar (comigo).

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Despertador

Acordei um dia reclamando que tinha dormido mal. Aí, reclamei que estava atrasada. Reclamei que não tinha tempo para tomar café direito, nem me arrumar, quão menos ajeitar o cabelo. O calor no metrô estava insuportável. Reclamei. Aí, tinha aquela caminhada de 10 minutos até o trabalho com o sol na cachola que não perdoava. Cheguei reclamando e toda suada. Reclamei dos vários e-mails na caixa de entrada, da falta de tempo para ler notícias e da falta de mensagens alheias no whatsapp (só para - talvez - me sentir importante). Reclamei que estava sem tempo para cuidar da minha vida, que estava entediada com o meu trabalho e eu estava em crise de identidade. Cheguei em casa reclamando de fome, reclamei da bagunça da minha irmã no meu quarto, do meu irmão me irritando porque só queria chamar minha atenção, da minha mãe cobrando a louça limpa de manhã. Reclamei o dia todo que não saia da frente do computador, mas cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi ligar ele. Antes de comer. Antes de dar "boa noite" para minha família. Antes de sequer saber se eu queria mesmo perder mais trinta minutos no Facebook. Reclamei, mas não fiz nada. Não me dei "bom dia" de manhã, nem tentei acordar mais cedo. Não fui com uma blusa mais fresca mesmo sabendo que o dia seria ensolarado. Não organizei minha caixa de e-mails no dia anterior porque sempre deixo para amanhã. Não quis sequer atualizar meu currículo ou procurar novas áreas porque estava com preguiça. Não levei lanche para o trabalho e por isso cheguei em casa querendo devorar até a mesa da sala.

Reclamei, mas não fiz nada.

E assim os dias foram passando, a vida foi continuando a mesma coisa até o dia que eu me toquei que eu estava esperando alguém chegar, bater nas minhas costas e me dar a solução de mão beijada para uma vida plena e satisfeita. Pensando bem, a gente não faz (ia) muito para mudar. Mudar é para os corajosos e talvez até um caminho mais solitário. É para quem tem força de vontade e não é fácil. Requer muita disciplina, muito interesse, muita garra em começar algo novo e abrir mão de tanto apego. Digo por mim mesma, olhando minha rotina e vendo o quanto é feio fazer birra por coisas que eu mesma escolhi. Fiquei mal acostumada com tanta mordomia e agora me pego no escuro sendo forçada a acreditar que o próximo passo vai me levar a um caminho novo. Eu só sei de uma coisa: não dá mais para reclamar e não fazer nada. A grande verdade é que tudo só fica bem quando a gente aqui dentro fica bem também.

Eu preciso tentar algo novo nem que ele conclua no mesmo lugar (que nunca é o mesmo). No fundo, não são os outros que mudam ou as situações que se transformam, mas nosso universo, nosso próprio espaço-tempo que gira para trazer sempre alguém melhor. Só depende de (você, eu, ele, todos) nós.